DEVO, NÃO NEGO. PAGAREI QUANDO PUDER...
"O maior sonho do comerciante é vender cada vez mais e, na outra ponta, o do consumidor é adquirir seus objetos de desejo. O triste é quando o vendedor não tem como receber o valor das mercadorias vendidas. Porém, com a facilidade de crédito e pagamento em prestações a perder de vista, o risco do calote é uma situação desagradável e real. O que é pior, o brasileiro tem o hábito, aliás, a temeridade, de não visualizar claramente o volume do seu endividamento, atentando apenas para o valor da parcela das prestações, que a propaganda enganosa afirma "caber bo seu bolso".
Tudo isso aconteceu por uma política suicida estimulada pelo governo populista anterior. Houve uma falsa euforia no mercado interno, com comerciantes esgotando seus estoques motivados pela farra consumista. Não sou pessimista, sou realista e, por isso, já era possível antever os problemas que viriam tanto para os comerciantes como para consumidores.
O ano de 2011 está demonstrando outra realidade que chegou a galope, com juros altos e aumento das restrições ao crédito. esta preocupação motivou a pesquisa para conhecer a atual realidade do consumidor brasileiro. A pesquisa foi centrada no endividamento e na inadimplência do consumidor e o resultado foi o mais trágico possível. Tomo a situação da nossa capital, Campo Grande, com os seus números estarrecedores.
O primeiro resultado mostra que 153 mil famílias campo-grandenses estão endividadas. Dessas, não conseguem pagar em dia suas dividas 72.230 famílias. E, mais grave ainda, 28.286 famílias não tem qualquer possibilidade de quitá-las. Como então explicar este endividamento realizado por pessoas com orçamento familiar capaz de suportar apenas gastos básicos, como aluguel, luz, água, alimentação, transportes, educação e poucos outros itens. Mesmo assim, continuaram a comprar, a comprar... Creio que o sonho de consumo, como a felicidade ao alcance das mãos, foi maior que a sensatez que regula o "ter" e o "poder" pagar. Com o nome no Serasa, este cidadão endividado vai ter que rebolar para limpar o seu nome.
Isso leva a outro engodo do governo: passar a imagem de que no Brasil houve uma ascensão de classes sociais, com a ampliação de uma chamada "classe média", difícil de definir e avaliada tão somente pela sua capacidade de consumo de eletrodomésticos e automóveis populares. O governo até inclui nesses indicadores de classe a aquisição de casa própria mediante o mesmo recurso de financiamento "para toda a vida".
Quem de fato, pertence a essa nova classe média? Mesmo com a ampliação do programa Bolsa Família, as classes A,B,C,D,E continuam no mesmo lugar. Recentemente, um estudioso do assunto lançou um livro provando que esta história da movimentação das classes, em especial, essa dita "nova classe média" cujos elementos ele chamou de "batalhadores", aqui no Brasil é uma balela. Entendo esta situação mais como falta de transparência das estatísticas oficiais para alegar e festejar altos índices de aprovação de governantes e seus respectivos dividendos eleitorais. Entretanto, o choque de realidade já começou. Antevejo até quem é que vai pagar o pato, ou melhor dizendo, as dívidas. Com certeza estarão fora de risco os setores privilegiados pelos últimos governantes, como banqueiros (que ganharam dinheiro "como nunca antes neste país"), empresários (acostumados a rceber empréstimos e concorrências de "pai para filho"), multinacionais, etc. Vou parar por aqui, para não prolongar o meu desalento e desaprovação desta perversa política econômica interna que endivida a população de baixa renda.
Parodiando Euclides da Cunha, como sul-matogrossense é acima de tudo um forte, não perco as esperanças, mesmo com S. Pedro despejando uma cachoeira sobre o estado (o que, aliás, não é somente privilégio de mato Grosso do Sul). As condições adversas se somam e, com isso, sofrem desde os grandes proprietários, como os produtores de soja, até os pequenos sitiantes que fornecem verduras para o estado. O prejuizo é democrático e atinge a todos, com encarecimento dos gêneros de primeira necessidade, abalando os cofres municipais e estaduais.
Não precisa ser advinho, nem metereologista, para prever uma nuvem cinzenta pairando sobre a gente sul-matogrossense, por muito tempo ainda. "
Atigo de Valmir Batista Corrêa, transcrito do Jornal da Cidade Oline. http://www.jornaldacidadeonline.com.br
É professor titular aposentado de História do Brasil da UFMS, com mestrado e doutorado pela USP. Pequisador de História Regional, tem uma vasta produção hitoriográfica. É sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de MT, sócio efetivo de Instituto Histórico e Geográfico de MS e membro da Academia Sul-Mato-Grossesnse de Letras.
Nicéas Romeo Zanchett
OBSERVAÇÕES FINAIS:
Muitas famílias estão desesperadas porque acreditaram no governo Lula e se endividaram muito acima das suas condições. Famílias de baixa renda, sem muita experiência para lidar com dinheiro, compraram tudo o que puderam e até alimentos parcelados em cartões de crédito. Agora Lula, explica para eles como irão pagar. Ou, melhor dizendo, como irão comprar novos alimentos se não tem dinheiro e nem crédito? Estão pagando juros atronômicos para os tais cartões e correm risco de desemprego.
Muitos que adquiriram veiculos ou outros bens financiados já estão sofrendo retomadas.
Aqueles que acreditaram no sonho da casa própria, agora estão descobrindo que, na verdade, tratava-se de um pesadelo.
Ascensão social se faz com educação e trabalho digno. Mas o governo Lula quiz fazê-lo com Bolsa Família que no governo FHC era Bolsa Escola e tinha o objetivo de incentivar a educação.
Agora tudo está ficando claro. Tratava-se de um engodo para passar a imagem de grande governante para o mundo e para os brasileiros menos avisados.
A inflação está voltando a galopes trazendo consigo juros altos e desemprego. É bom ficarem alertas.
Mais uma vez fica comprovado que a mentira tem pernas curtas.
O trabalho, que a duras penas foi feito no Governo Itamar Franco e FHC, está indo por água abaixo. Tudo pela irresponsabilidade de um governante que só soube olhar para o próprio umbigo e sorrir com a falsa popularidade mostrada nas pesquisas compradas.
Nicéas Romeo Zanchett













